2022

Projeto de Pesquisa

Investigação
Multidimensional
do Brasil
Projeto Censo 22

Um projeto guarda-chuva dedicado à investigação multidimensional do Brasil a partir do Censo Demográfico 2022, reunindo pesquisadores em múltiplos temas e perspectivas para compreender transformações sociais, econômicas e territoriais e suas implicações para as políticas públicas.

4

Grandes Temas

1

Eixo Transversal

29

Subprojetos

59

Pesquisadores

Eixos Temáticos

Grandes Temas

Destaques

Subprojetos em Destaque

Ver todos
Pobreza, Desigualdades, Educação Em breve

Pobreza multidimensional no Brasil a partir do Censo Demográfico 2022

A mensuração da pobreza no Brasil, baseada predominantemente na renda, produz um diagnóstico incompleto ao não capturar privações simultâneas em dimensões fundamentais como educação, habitação e saneamento básico. Evidências empíricas indicam que a sobreposição entre pobreza monetária e multidimensional é limitada e que persistem desigualdades territoriais relevantes, especialmente entre os contextos urbano e rural, mesmo em cenários de melhora da renda. Nesse sentido, o problema não se resume à insuficiência de recursos monetários, mas à incapacidade de a renda refletir a distribuição real das condições de vida. O subprojeto propõe a mensuração da pobreza como fenômeno multidimensional a partir dos microdados do Censo Demográfico 2022, utilizando o método Alkire-Foster para identificar a incidência e a intensidade das privações e analisar sua distribuição conjunta no território, com destaque para a escala municipal. A abordagem integra dimensões não monetárias e permite a decomposição por diferentes recortes geográficos e características sociodemográficas, ampliando a capacidade de leitura das desigualdades. A análise evidencia que a pobreza não se manifesta de forma homogênea e que diferentes territórios e grupos populacionais apresentam combinações específicas de privações, não captadas pela renda isoladamente. Ao revelar esses perfis, a abordagem multidimensional contribui para aprimorar o diagnóstico da pobreza e reduzir distorções na identificação de públicos e territórios prioritários. Com isso, o subprojeto contribui para a construção de diagnósticos territorializados mais precisos e baseados em evidências integradas. Seu principal aporte está em revelar dimensões da pobreza que permanecem parcialmente invisíveis às medidas monetárias, permitindo compreender com maior precisão como as desigualdades se organizam e se reproduzem no território brasileiro.

Adriana Stankiewicz Serra

Trabalho Em breve

Dinâmica populacional, mercado de trabalho e crescimento econômico: um estudo à luz dos dados revelados pelo Censo 2022

A transição demográfica altera uma das bases que sustentaram o crescimento econômico brasileiro nas últimas décadas. A população de 14 a 64 anos, faixa que reúne cerca de 97% das pessoas ocupadas, cresce em ritmo muito baixo, atingirá seu ponto máximo em 2035 e começará a diminuir a partir de 2036. A expansão da força de trabalho perde velocidade justamente quando a economia continua demandando aumento elevado do emprego para crescer. Esse descompasso está diretamente relacionado ao baixo crescimento da produtividade do trabalho. Para uma determinada taxa de expansão do PIB, quanto menor o avanço da produtividade, maior o crescimento do emprego necessário. Em um cenário de PIB crescendo 3% e produtividade de 0,5%, a pesquisa estima que o emprego precisaria aumentar aproximadamente 2,49% ao ano. A oferta de trabalho não acompanha esse ritmo. Nos anos recentes, a diferença foi absorvida pela queda acelerada do desemprego, que alcançou o menor nível da série da PNAD Contínua e colocou o mercado de trabalho na vizinhança do pleno emprego. Mantidos os parâmetros recentes de produtividade, participação e jornada, o crescimento compatível entre oferta e demanda de trabalho seria de aproximadamente 1,3% ao ano. Esse resultado não constitui previsão. Trata-se de uma simulação que explicita a restrição criada pela combinação entre desaceleração demográfica, baixo crescimento da produtividade e redução da margem representada pelo desemprego. A pesquisa examina diferentes possibilidades de ampliação da oferta de trabalho, entre elas aumento da participação, melhor compatibilização entre vagas e trabalhadores, mobilidade regional, imigração e mudanças na jornada. Essas alternativas podem produzir algum alívio, mas não apresentam escala suficiente para sustentar taxas mais altas de crescimento por período prolongado. Mesmo em cenário favorável, seu efeito tende a adiar por pouco tempo o momento em que a disponibilidade de trabalho restringe a expansão econômica. O resultado mais distintivo aparece na análise da produtividade. O pequeno ganho agregado observado no período recente decorreu da mudança da composição setorial do emprego, com realocação de trabalhadores para setores relativamente mais produtivos. A produtividade dentro dos setores, no conjunto, não avançou. A continuidade de uma trajetória mais alta de crescimento depende, portanto, de uma inflexão da produtividade capaz de reduzir a necessidade de expansão do emprego para cada ponto adicional de PIB.

Francisco Eduardo Pires de Souza

INCT-PPED

Territórios e Vulnerabilidades Em breve

Vulnerabilidade da população à mudança climática

A vulnerabilidade climática é amplamente mobilizada nas políticas públicas e no debate acadêmico, mas sua utilização difusa e não padronizada compromete sua capacidade de orientar decisões. A coexistência de múltiplas definições — centradas na exposição ao risco, nas condições socioeconômicas ou na capacidade adaptativa — produz diagnósticos inconsistentes sobre a vulnerabilidade climática, dificultando a construção de indicadores e a definição de critérios analíticos comparáveis. Esse problema se evidencia no campo institucional, marcado pela proliferação de plataformas e sistemas de informação, como AdaptaClima e AdaptaBrasil, sem convergência conceitual suficiente para sustentar leituras consistentes do fenômeno. A pesquisa organiza o campo teórico da vulnerabilidade climática, sistematiza suas principais abordagens e examina sua tradução nas políticas públicas, ao mesmo tempo em que explora as possibilidades do Censo Demográfico 2022 para a construção de indicadores e estratégias de mensuração da vulnerabilidade. A análise evidencia que a ausência de critérios conceituais consistentes dificulta a tradução da vulnerabilidade em métricas operacionais e compromete a produção de diagnósticos comparáveis sobre exposição, risco e capacidade adaptativa. Como consequência, a noção de vulnerabilidade tende a ser utilizada de forma genérica, reduzindo sua capacidade de orientar interpretações consistentes sobre populações e territórios expostos aos riscos climáticos. Nesse contexto, o Censo 2022 se apresenta como base relevante para o desenvolvimento de indicadores e estratégias analíticas voltadas à mensuração da vulnerabilidade climática, desde que articulado a referenciais conceituais consistentes. O subprojeto delimita, assim, as condições analíticas necessárias para utilizar a vulnerabilidade como critério de interpretação e comparação em contextos de risco climático, sem antecipar resultados que ainda dependem de desenvolvimento analítico.

Estela Maria Souza Costa Neves

INCT-PPED

Cidades e Marcadores Sociais Em breve

Integração de bases de dados do Censo Demográfico e cadastros públicos como instrumento de combate à violência intrafamiliar contra a mulher

A violência intrafamiliar contra a mulher permanece como um dos problemas sociais de maior gravidade no país, mas sua persistência não se explica apenas pela complexidade do fenômeno, e sim pela baixa capacidade institucional do Estado de integrar informações produzidas por justiça, assistência social, saúde e políticas para mulheres. Registros existem, mas operam de forma fragmentada, limitando a identificação de recorrência, padrões territoriais e condições que sustentam a continuidade da violência, o que mantém a política pública concentrada na resposta posterior à ocorrência. O subprojeto articula Cadastro Único, registros do Tribunal de Justiça de Sergipe, Programa CMAIS Mulher, Sistema de Informação de Agravos de Notificação e dados do Censo Demográfico 2022, utilizando o Cadastro Único como eixo estruturante dessa integração. A estratégia permite relacionar perfil socioeconômico, composição familiar, ocorrência de violência e distribuição territorial dos casos, com leitura por município, bairro e pequenas áreas. Ao evidenciar a sobreposição de aproximadamente 75% entre mulheres registradas nos processos judiciais e aquelas presentes no Cadastro Único, a pesquisa demonstra que a integração entre bases não é apenas uma possibilidade técnica, mas uma viabilidade institucional concreta. O principal deslocamento analítico está em reconhecer que o desafio central não é a ausência de dados, mas a forma como essas informações são organizadas, compartilhadas e utilizadas. A integração amplia a capacidade de identificar padrões, qualifica o diagnóstico territorial e fortalece o monitoramento contínuo, criando condições para que a política pública avance da reação à ocorrência para a prevenção. O subprojeto indica que a melhoria da resposta estatal depende menos da criação de novas estruturas e mais da capacidade de transformar informações já produzidas em decisão pública contínua e coordenada.

Kleber Fernandes de Oliveira

IBGE

Infraestrutura de inteligência pública Em breve

Ocupações Brasileiras e estatísticas nacionais: conciliando as classificações do MTE e do Ibge para fins de projeções ocupacionais e outras aplicações

As análises sobre o mercado de trabalho brasileiro enfrentam limitações decorrentes da coexistência de diferentes classificações ocupacionais utilizadas pelo IBGE e pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O problema não está apenas na existência de múltiplos sistemas classificatórios, mas na dificuldade de integrar informações produzidas por pesquisas censitárias e registros administrativos, comprometendo análises históricas e projeções ocupacionais. O subprojeto busca compatibilizar classificações ocupacionais utilizadas pelo MTE e pelo IBGE, articulando dados do Censo Demográfico, PNAD Contínua, RAIS e CAGED para construir uma base integrada de análise das ocupações brasileiras. A pesquisa combina análise especialista e técnicas de processamento de linguagem natural, incluindo embeddings e modelos de similaridade semântica, para aproximar descritores ocupacionais e estruturas classificatórias distintas. Os exercícios preliminares demonstram que modelos intermediários de compatibilização apresentaram resultados mais consistentes do que abordagens excessivamente simplificadas ou excessivamente detalhadas. A análise também evidencia limites decorrentes das diferentes lógicas de construção das classificações e da ausência de documentação histórica consolidada sobre suas transformações. Ao fortalecer a inteligibilidade longitudinal das ocupações brasileiras, o projeto amplia a capacidade de integração entre registros administrativos e pesquisas domiciliares, criando condições para análises ocupacionais mais consistentes e futuras projeções do mercado de trabalho brasileiro.

Mariana Eugênio Almeida e Fernanda Teixeira Reis

ENCE/IBGE

Territórios e Vulnerabilidades Em breve

Integração de informações sobre ambientes e territórios indígenas e quilombolas a partir do Censo de 2022

O subprojeto investiga como a produção pública de informações geoespaciais pode representar, de forma integrada, ambientes e territórios indígenas e quilombolas a partir do Censo Demográfico de 2022. Seu ponto de partida é a fragmentação entre dados populacionais, territoriais e ambientais: quando essas dimensões são organizadas em camadas separadas, povos indígenas e comunidades quilombolas podem aparecer como população sem ambiente, enquanto biomas e áreas ambientalmente relevantes podem ser lidos como natureza sem presença social. A pesquisa articula informações territoriais indígenas e quilombolas do Censo 2022 com informações ambientais do Banco de Dados e Informações Ambientais do IBGE. O foco recai sobre as categorias Localidade Indígena e Localidade Quilombola, que ampliam a capacidade de representar formas de presença territorial nem sempre capturadas por recortes censitários convencionais. Ao aproximar essas categorias de atributos ambientais, o subprojeto desloca a localidade de um simples marcador de presença para uma entrada metodológica capaz de qualificar a leitura dos ambientes-territórios. A força analítica da pesquisa está em tratar ambiente e território como dimensões indissociáveis para povos e comunidades tradicionais. Essa perspectiva dialoga com cosmologias, saberes-fazeres e dispositivos jurídicos que reconhecem a relação entre território, recursos naturais, reprodução social, cultura, ancestralidade e direitos. A dimensão ambiental, portanto, não aparece como camada externa ao território, mas como componente necessário da informação geoespacial sobre esses povos. A contribuição principal do subprojeto não é medir conservação ambiental, desmatamento ou efeitos ecológicos da presença indígena e quilombola. Seu ganho está em mostrar que a forma como a informação geoespacial é organizada condiciona o que aparece nos diagnósticos públicos sobre população, biomas e sustentabilidade. Integrar Censo 2022 e BDiA/IBGE não resolve, por si só, os conflitos socioambientais brasileiros, mas melhora a capacidade pública de reconhecer relações entre povos, territórios e ambientes.

Felipe Rangel Tavares

ENCE/IBGE

Leituras em Destaque

Textos para Discussão

Ver todos

Entradas diretas para os argumentos desenvolvidos pelos subprojetos

01

O Censo 2022 entre realização e perda informacional

A pesquisa mostra como cortes, redução do questionário, judicialização e restrições operacionais diminuíram parte do que o Estado pôde perguntar, medir e reconhecer sobre a população brasileira.

Ler texto
02

Integração de bases no enfrentamento da violência contra a mulher

Registros da justiça, da saúde, da assistência social e do Censo podem ampliar a capacidade pública de identificar padrões territoriais e recorrências da violência intrafamiliar.

Ler texto
03

Migração, território e mudanças na dinâmica populacional brasileira

Os deslocamentos populacionais revelam novas relações entre território, trabalho, família e acesso a oportunidades, reposicionando a leitura das transformações demográficas no país.

Ler texto

Publicações

Livros Consolidados

Ver todas
Livro I

Propostas Iniciais de Pesquisa

Censo Demográfico 2022 e as múltiplas faces do Brasil: caminhos para uma investigação multidimensional

Coletânea das propostas iniciais apresentadas pelos pesquisadores ao projeto guarda-chuva, delineando as questões centrais, hipóteses e metodologias previstas para cada subprojeto.

Acessar publicação completa
Livro II

Artigos Conceituais

Artigos conceituais que aprofundam a fundamentação teórica e analítica dos subprojetos, articulando os dados censitários com a literatura acadêmica contemporânea.

Disponível em breve
Livro III

Relatórios Finais

Relatórios finais consolidando os achados, análises e recomendações de políticas públicas de cada subprojeto, com base nos dados do Censo Demográfico 2022.

Disponível em breve