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Territórios e Vulnerabilidades

Vulnerabilidade da população à mudança climática

Estela Maria Souza Costa Neves

INCT-PPED

Vulnerabilidade climáticaadaptação climáticamensuração da vulnerabilidadeCenso Demográfico 2022capacidade estatal
ODS 13 – Ação contra a mudança global do climaODS 1 – Erradicação da pobreza

Resumo Executivo

A vulnerabilidade climática é amplamente mobilizada nas políticas públicas e no debate acadêmico, mas sua utilização difusa e não padronizada compromete sua capacidade de orientar decisões. A coexistência de múltiplas definições — centradas na exposição ao risco, nas condições socioeconômicas ou na capacidade adaptativa — produz diagnósticos inconsistentes sobre a vulnerabilidade climática, dificultando a construção de indicadores e a definição de critérios analíticos comparáveis. Esse problema se evidencia no campo institucional, marcado pela proliferação de plataformas e sistemas de informação, como AdaptaClima e AdaptaBrasil, sem convergência conceitual suficiente para sustentar leituras consistentes do fenômeno.

A pesquisa organiza o campo teórico da vulnerabilidade climática, sistematiza suas principais abordagens e examina sua tradução nas políticas públicas, ao mesmo tempo em que explora as possibilidades do Censo Demográfico 2022 para a construção de indicadores e estratégias de mensuração da vulnerabilidade.

A análise evidencia que a ausência de critérios conceituais consistentes dificulta a tradução da vulnerabilidade em métricas operacionais e compromete a produção de diagnósticos comparáveis sobre exposição, risco e capacidade adaptativa. Como consequência, a noção de vulnerabilidade tende a ser utilizada de forma genérica, reduzindo sua capacidade de orientar interpretações consistentes sobre populações e territórios expostos aos riscos climáticos.

Nesse contexto, o Censo 2022 se apresenta como base relevante para o desenvolvimento de indicadores e estratégias analíticas voltadas à mensuração da vulnerabilidade climática, desde que articulado a referenciais conceituais consistentes. O subprojeto delimita, assim, as condições analíticas necessárias para utilizar a vulnerabilidade como critério de interpretação e comparação em contextos de risco climático, sem antecipar resultados que ainda dependem de desenvolvimento analítico.

Atualizado em: 24 de junho de 2026. Status: pesquisa em andamento.

Questão Norteadora

"Como definir e mensurar a vulnerabilidade da população à mudança climática de forma conceitualmente consistente, de modo a permitir a identificação precisa de populações prioritárias e orientar políticas públicas de adaptação baseadas em evidências?"

Contribuições analíticas preliminares

1

A vulnerabilidade climática não constitui um conceito único ou estabilizado, sendo definida de forma distinta por diferentes tradições teóricas e institucionais.

2

A ausência de critérios conceituais convergentes dificulta a construção de indicadores robustos e compromete a mensuração da vulnerabilidade em diferentes contextos sociais e territoriais.

3

A utilização genérica do conceito de vulnerabilidade tende a produzir diagnósticos imprecisos sobre exposição, risco e capacidade adaptativa.

4

O Censo Demográfico 2022 apresenta potencial relevante para a construção de indicadores e estratégias analíticas voltadas à caracterização da vulnerabilidade climática, desde que seu uso esteja ancorado em definições conceituais consistentes.

5

A definição adotada de vulnerabilidade influencia diretamente a forma como riscos climáticos são interpretados, comparados e convertidos em critérios de análise e priorização pública.

6

A consolidação conceitual da vulnerabilidade é condição necessária para que sistemas de informação e plataformas públicas produzam diagnósticos comparáveis e úteis à adaptação climática.

Usos e Desdobramentos

Formulação de políticas públicas

Recomendações para gestores públicos

Em preparação

Texto para Discussão

Debate e implicações públicas

Ler texto

Dados e visualizações

Indicadores e dados em formato visual

Em preparação

Documentos da Pesquisa

Etapa 1

Proposta Inicial

Proposta inicial de pesquisa apresentada ao projeto.

PDF
Etapa 2

Artigo Conceitual

Artigo conceitual desenvolvido com base na proposta.

Em breve
Etapa 3

Relatório Final

Relatório final consolidando os achados da pesquisa.

Em breve

O que este subprojeto permite compreender sobre o Brasil agora

A vulnerabilidade climática não é uma condição automaticamente visível nos territórios brasileiros nem uma característica que possa ser identificada de forma neutra pelas políticas públicas. A forma como o Estado define, mensura e interpreta a vulnerabilidade influencia diretamente quais populações serão reconhecidas como prioritárias, quais territórios receberão maior atenção institucional e quais critérios orientarão as respostas de adaptação climática.

O subprojeto demonstra que o desafio brasileiro da adaptação não se resume à ampliação de bases de dados ou à produção de novos indicadores ambientais. O país já dispõe de estatísticas públicas, informações territoriais e sistemas de monitoramento relevantes. O problema central está na capacidade de transformar essas informações em leituras territorializadas consistentes, articulando desigualdades sociais, exposição a riscos e condições concretas de adaptação.

Nesse contexto, o Censo Demográfico 2022 assume papel estratégico não apenas como instrumento de descrição da população brasileira, mas como base para construção de diagnósticos territorializados da vulnerabilidade climática. A pesquisa mostra que diferentes definições de vulnerabilidade produzem diferentes diagnósticos e diferentes prioridades públicas, tornando explícito que a adaptação climática depende também de escolhas conceituais, metodológicas e institucionais.

Em um país marcado por fortes desigualdades territoriais, a vulnerabilidade climática depende menos de uma condição dada e mais da forma como riscos, populações e territórios são definidos, relacionados e interpretados pelas políticas públicas. A adaptação climática passa pela capacidade de produzir critérios consistentes para reconhecer vulnerabilidades em diferentes escalas do território brasileiro.