Dinâmica populacional, mercado de trabalho e crescimento econômico: um estudo à luz dos dados revelados pelo Censo 2022
Francisco Eduardo Pires de Souza
INCT-PPED
Resumo Executivo
A transição demográfica altera uma das bases que sustentaram o crescimento econômico brasileiro nas últimas décadas. A população de 14 a 64 anos, faixa que reúne cerca de 97% das pessoas ocupadas, cresce em ritmo muito baixo, atingirá seu ponto máximo em 2035 e começará a diminuir a partir de 2036. A expansão da força de trabalho perde velocidade justamente quando a economia continua demandando aumento elevado do emprego para crescer.
Esse descompasso está diretamente relacionado ao baixo crescimento da produtividade do trabalho. Para uma determinada taxa de expansão do PIB, quanto menor o avanço da produtividade, maior o crescimento do emprego necessário. Em um cenário de PIB crescendo 3% e produtividade de 0,5%, a pesquisa estima que o emprego precisaria aumentar aproximadamente 2,49% ao ano. A oferta de trabalho não acompanha esse ritmo. Nos anos recentes, a diferença foi absorvida pela queda acelerada do desemprego, que alcançou o menor nível da série da PNAD Contínua e colocou o mercado de trabalho na vizinhança do pleno emprego.
Mantidos os parâmetros recentes de produtividade, participação e jornada, o crescimento compatível entre oferta e demanda de trabalho seria de aproximadamente 1,3% ao ano. Esse resultado não constitui previsão. Trata-se de uma simulação que explicita a restrição criada pela combinação entre desaceleração demográfica, baixo crescimento da produtividade e redução da margem representada pelo desemprego.
A pesquisa examina diferentes possibilidades de ampliação da oferta de trabalho, entre elas aumento da participação, melhor compatibilização entre vagas e trabalhadores, mobilidade regional, imigração e mudanças na jornada. Essas alternativas podem produzir algum alívio, mas não apresentam escala suficiente para sustentar taxas mais altas de crescimento por período prolongado. Mesmo em cenário favorável, seu efeito tende a adiar por pouco tempo o momento em que a disponibilidade de trabalho restringe a expansão econômica.
O resultado mais distintivo aparece na análise da produtividade. O pequeno ganho agregado observado no período recente decorreu da mudança da composição setorial do emprego, com realocação de trabalhadores para setores relativamente mais produtivos. A produtividade dentro dos setores, no conjunto, não avançou. A continuidade de uma trajetória mais alta de crescimento depende, portanto, de uma inflexão da produtividade capaz de reduzir a necessidade de expansão do emprego para cada ponto adicional de PIB.
Atualizado em: 15 de julho de 2026. Status: pesquisa finalizada.
Questão Norteadora
"Qual é o futuro do mercado de trabalho e do crescimento econômico no Brasil diante da forte desaceleração da força de trabalho e do baixo crescimento da produtividade?"
Principais achados
A população de 14 a 64 anos cresce cerca de 0,23% ao ano e deixará de aumentar em 2035. O envelhecimento também reduz a taxa de participação agregada ao ampliar o peso dos grupos etários com menor inserção no mercado de trabalho.
A economia brasileira continua exigindo forte expansão do emprego para crescer. Com PIB avançando 3% e produtividade de 0,5%, o emprego precisaria aumentar aproximadamente 2,49% ao ano, ritmo muito superior ao crescimento da oferta de trabalho.
A queda do desemprego funcionou como mecanismo de ajuste entre demanda e oferta de trabalho. Com a taxa de desocupação na vizinhança do pleno emprego, essa margem tornou-se estreita e não pode sustentar indefinidamente novos ciclos de expansão.
Mantidas as condições recentes de produtividade, participação e jornada, o crescimento compatível com a expansão da oferta de trabalho é estimado em aproximadamente 1,3% ao ano. Esse valor resulta de uma simulação e não constitui previsão.
Maior participação laboral, melhor compatibilização entre vagas e trabalhadores, mobilidade regional, imigração e mudanças nas horas trabalhadas podem mitigar a restrição, mas não apresentam escala suficiente para sustentar crescimento próximo de 3% por período prolongado.
O pequeno avanço agregado da produtividade decorreu da realocação do emprego para setores relativamente mais produtivos. O componente intrassetorial foi negativo, indicando ausência de ganhos disseminados dentro dos setores.
Em cenário com produtividade crescendo 3% ao ano, o PIB poderia avançar aproximadamente 3,8%, mantidas as demais premissas. O exercício mostra o efeito potencial de uma inflexão da produtividade, sem indicar que esse resultado será necessariamente alcançado.
Usos e Desdobramentos
Formulação de políticas públicas
Recomendações para gestores públicos
Texto para Discussão
Debate e implicações públicas
Dados e visualizações
Indicadores e dados em formato visual
Documentos da Pesquisa
Artigo Conceitual
Artigo conceitual desenvolvido com base na proposta.
Em breveRelatório Final
Relatório final consolidando os achados da pesquisa.
Em breveO que este subprojeto permite compreender sobre o Brasil agora
A transição demográfica já altera as condições do crescimento econômico brasileiro. A população de 14 a 64 anos cresce em ritmo muito baixo, atingirá seu ponto máximo em 2035 e começará a diminuir a partir de 2036. A economia perde uma fonte de expansão que, durante décadas, permitiu ampliar continuamente a força de trabalho.
Nos anos recentes, a queda do desemprego absorveu parte da diferença entre o crescimento da demanda por trabalho e a expansão mais lenta da oferta. Esse ajuste aproximou o mercado de trabalho da vizinhança do pleno emprego. A continuidade da expansão não pode depender indefinidamente da absorção de trabalhadores desempregados.
A restrição é ampliada pelo baixo crescimento da produtividade. Quando a produtividade avança lentamente, o aumento do PIB exige forte expansão do emprego. Com a força de trabalho desacelerando e a margem do desemprego mais estreita, a simulação do subprojeto estima crescimento compatível de aproximadamente 1,3% ao ano, mantidos os parâmetros recentes. Esse resultado expressa uma condição do exercício, não uma previsão.
Medidas de participação laboral, mobilidade, imigração e melhor compatibilização entre vagas e trabalhadores podem adiar essa restrição, mas não removem seu núcleo. O subprojeto também mostra que o pequeno ganho recente de produtividade veio da mudança da composição setorial do emprego, e não de avanços disseminados dentro dos setores. A sustentação de taxas mais altas de crescimento depende principalmente de ganhos de produtividade capazes de reduzir a necessidade de expansão do emprego para cada ponto adicional de PIB.