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Pobreza, Desigualdades, Educação

Censos demográficos e a desigualdade de renda no Brasil

Pedro Fandiño

Instituto de Economia/UFRJ e Centro de Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento (CEDE)

Desigualdade de rendaCensos demográficosDistribuição de rendaDesigualdade territorialDiferenciais salariais
ODS 10 – Redução das Desigualdades (meta 10.1 e 10.2)ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico (meta 8.5)

Resumo Executivo

O subprojeto examina como os censos demográficos contribuem para medir e interpretar a desigualdade de renda no Brasil. A pesquisa se organiza em duas frentes: uma análise histórica e metodológica da variável renda nos recenseamentos e uma exploração empírica dos microdados censitários em diferentes escalas territoriais e entre grupos sociais. A etapa empírica do relatório final chega até 2010, porque os microdados do Censo 2022 ainda não estavam disponíveis no fechamento dos artigos.

A primeira frente mostra por que o Censo ocupa uma posição singular no estudo da desigualdade: permite acompanhar uma longa série histórica, trabalhar com amostras de grande escala e observar diferenças em níveis municipal e intramunicipal. Ao mesmo tempo, mudanças nos quesitos de rendimento alteram o que pode ser identificado, sobretudo quando rendimentos do capital aparecem agregados a aposentadorias, benefícios sociais e outras fontes.

A segunda frente mostra que a trajetória nacional não se reproduz de forma uniforme no território. Entre 2000 e 2010, a desigualdade diminuiu em todos os estados, mas aumentou em seis capitais, entre elas São Paulo e Rio de Janeiro. Mesmo nas unidades relativamente menos desiguais, os níveis permanecem elevados, indicando que a concentração varia mais em intensidade do que em presença.

A pesquisa também examina fatores associados à desigualdade municipal e diferenciais salariais relacionados a raça, gênero e escolaridade. Renda média, formalização do mercado de trabalho e composição racial aparecem como os fatores mais associados ao coeficiente de Gini municipal no modelo utilizado, sem implicar relação causal. Entre 1980 e 2010, os diferenciais salariais de gênero e raça diminuíram, mas permaneceram expressivos. O prêmio do ensino superior seguiu trajetória própria: cresceu até 2000 e recuou na década seguinte, mantendo-se elevado.

Atualizado em: 4 de outubro de 2026. Status: pesquisa finalizada.

Questão Norteadora

"Como os censos demográficos permitem medir e interpretar a desigualdade de renda no Brasil, e o que seus microdados revelam quando a concentração é observada no território e entre grupos sociais?"

Principais achados

1

Os Censos Demográficos permitem construir a mais longa série histórica disponível sobre a desigualdade de renda no Brasil considerando toda a distribuição, além de oferecer grande escala amostral e ampla desagregação territorial.

2

Mudanças nos quesitos de rendimento alteram a capacidade de distinguir diferentes fontes de renda, especialmente quando rendimentos do capital aparecem agregados a aposentadorias, benefícios sociais e outros rendimentos.

3

A desigualdade varia entre os territórios brasileiros, mas permanece elevada mesmo nas unidades relativamente menos desiguais: a diferença observada é sobretudo de intensidade, não de presença.

4

Entre 2000 e 2010, a desigualdade caiu em todos os estados, mas aumentou em seis capitais, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, mostrando que a trajetória nacional não se reproduziu de forma homogênea nas grandes cidades.

5

No modelo utilizado, renda média, formalização do mercado de trabalho e composição racial são os fatores mais associados ao Gini municipal; população, área e urbanização perdem importância quando as variáveis são analisadas simultaneamente. Os resultados indicam associação, não causalidade.

6

Os diferenciais salariais de gênero e raça diminuíram entre 1980 e 2010, mas permaneceram elevados. Em 2010, mulheres recebiam cerca de dois terços do salário dos homens e pretos e pardos cerca de três quartos do salário dos brancos, mantidos os controles do modelo.

7

A escolaridade apresenta trajetória própria: o prêmio salarial do ensino superior cresceu até 2000 e recuou em 2010, mas continuou elevado, confirmando seu peso na estrutura das desigualdades salariais.

Usos e Desdobramentos

Formulação de políticas públicas

Recomendações para gestores públicos

Acessar conteúdo

Texto para Discussão

Debate e implicações públicas

Ler texto

Dados e visualizações

Indicadores e dados em formato visual

Explorar visualização

Documentos da Pesquisa

Etapa 1

Proposta Inicial

Proposta inicial de pesquisa apresentada ao projeto.

PDF
Etapa 2

Artigo Conceitual

Artigo conceitual desenvolvido com base na proposta.

Em breve
Etapa 3

Relatório Final

Relatório final consolidando os achados da pesquisa.

Em breve

O que este subprojeto permite compreender sobre o Brasil agora

A desigualdade brasileira não cabe em um único indicador nacional. Entre 2000 e 2010, todos os estados registraram redução da concentração de renda, enquanto seis capitais seguiram direção contrária, entre elas São Paulo e Rio de Janeiro. A escala territorial muda o diagnóstico e revela trajetórias que desaparecem quando o país é observado apenas pela média.

As diferenças também permanecem entre grupos sociais. Os diferenciais salariais de gênero e raça diminuíram entre 1980 e 2010, mas continuaram elevados; a escolaridade manteve forte relação com os salários e seguiu trajetória própria. A melhora distributiva, portanto, conviveu com desigualdades persistentes.

O estudo mostra ainda que enxergar essas transformações depende de como a renda é investigada. Quando diferentes fontes de rendimento deixam de ser distinguíveis, parte dos mecanismos da concentração também deixa de ser observável. A qualidade dos quesitos censitários interfere diretamente na capacidade de acompanhar mudanças distributivas ao longo do tempo.

O principal aporte do subprojeto está em mostrar que a desigualdade muda conforme a escala territorial e os grupos observados, e que os censos oferecem condições excepcionais para acompanhar essas diferenças no tempo. A pesquisa aproxima, assim, mensuração e interpretação: compreender a desigualdade exige saber quanto ela mudou, onde mudou e para quem mudou.