Integração de informações sobre Ambientes e Territórios Indígenas e Quilombolas a partir do Censo de 2022
Felipe Rangel Tavares
ENCE/IBGE
Resumo Executivo
O subprojeto investiga como a produção pública de informações geoespaciais pode representar, de forma integrada, ambientes e territórios indígenas e quilombolas a partir do Censo Demográfico de 2022. Seu ponto de partida é a fragmentação entre dados populacionais, territoriais e ambientais: quando essas dimensões são organizadas em camadas separadas, povos indígenas e comunidades quilombolas podem aparecer como população sem ambiente, enquanto biomas e áreas ambientalmente relevantes podem ser lidos como natureza sem presença social.
A pesquisa articula informações territoriais indígenas e quilombolas do Censo 2022 com informações ambientais do Banco de Dados e Informações Ambientais do IBGE. O foco recai sobre as categorias Localidade Indígena e Localidade Quilombola, que ampliam a capacidade de representar formas de presença territorial nem sempre capturadas por recortes censitários convencionais. Ao aproximar essas categorias de atributos ambientais, o subprojeto desloca a localidade de um simples marcador de presença para uma entrada metodológica capaz de qualificar a leitura dos ambientes-territórios.
A força analítica da pesquisa está em tratar ambiente e território como dimensões indissociáveis para povos e comunidades tradicionais. Essa perspectiva dialoga com cosmologias, saberes-fazeres e dispositivos jurídicos que reconhecem a relação entre território, recursos naturais, reprodução social, cultura, ancestralidade e direitos. A dimensão ambiental, portanto, não aparece como camada externa ao território, mas como componente necessário da informação geoespacial sobre esses povos.
A contribuição principal do subprojeto não é medir conservação ambiental, desmatamento ou efeitos ecológicos da presença indígena e quilombola. Seu ganho está em mostrar que a forma como a informação geoespacial é organizada condiciona o que aparece nos diagnósticos públicos sobre população, biomas e sustentabilidade. Integrar Censo 2022 e BDiA/IBGE não resolve, por si só, os conflitos socioambientais brasileiros, mas melhora a capacidade pública de reconhecer relações entre povos, territórios e ambientes.
Atualizado em: 24 de junho de 2026. Status: pesquisa em andamento.
Questão Norteadora
"Como a integração entre informações ambientais do BDiA/IBGE e informações territoriais indígenas e quilombolas do Censo Demográfico de 2022 pode qualificar a representação geoespacial de povos e comunidades tradicionais em seus ambientes-territórios?"
Principais achados
A fragmentação entre informações populacionais, territoriais e ambientais não é apenas um problema técnico: ela pode reproduzir, nos diagnósticos públicos, uma leitura que separa sociedade e natureza.
O Censo 2022 amplia a representação territorial de povos indígenas e comunidades quilombolas ao registrar localidades, agrupamentos e formas de presença que escapam aos recortes censitários convencionais.
As categorias Localidade Indígena e Localidade Quilombola funcionam como mediações metodológicas centrais, porque permitem aproximar presença territorial, pertencimento coletivo e atributos ambientais em uma mesma leitura geoespacial.
A articulação entre Censo 2022 e BDiA/IBGE torna visível a coexistência espacial entre povos tradicionais, territórios e biomas, tensionando leituras que tratam áreas ambientalmente relevantes como espaços vazios ou exclusivamente naturais.
A pesquisa sustenta que a dimensão ambiental deve integrar a produção de informações geoespaciais sobre povos e comunidades tradicionais, pois território, recursos naturais, reprodução social e direitos aparecem articulados tanto nas práticas desses grupos quanto em dispositivos jurídicos brasileiros.
O subprojeto oferece uma contribuição conceitual, jurídica e metodológica para diagnósticos públicos sobre população, biomas e sustentabilidade, ao mostrar que a localidade indígena ou quilombola também precisa ser lida em relação ao ambiente em que se constitui.
A pesquisa não transforma sobreposição espacial em causalidade ambiental: ela não mede conservação, desmatamento ou desempenho ecológico, mas qualifica a forma como essas relações podem ser observadas, representadas e futuramente analisadas.
Usos e Desdobramentos
Formulação de políticas públicas
Recomendações para gestores públicos
Texto para Discussão
Debate e implicações públicas
Dados e visualizações
Indicadores e dados em formato visual
Documentos da Pesquisa
Artigo Conceitual
Artigo conceitual desenvolvido com base na proposta.
Etapa futuraRelatório Final
Relatório final consolidando os achados da pesquisa.
Etapa futura