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Cidades e Marcadores Sociais

Dois retratos sobre a migração no Brasil: a partir dos resultados do Censo Demográfico 2022 e de uma perspectiva cinematográfica

Paula Alves de Almeida

ENCE/IBGE

Coordenação: Barbara Cobo Soares (ENCE/IBGE)
MigraçãoCinedemografiaRefugiadosIntegraçãoFontes migratórias
Redução das DesigualdadesCidades e Comunidades SustentáveisPaz, Justiça e Instituições Eficazes

Resumo Executivo

A pesquisa analisa a migração como marcador social da diferença. Isso significa compreender que a condição migrante e o lugar de origem interferem nas oportunidades, nas relações sociais e nas condições de vida, especialmente quando combinados a gênero, raça/cor, deficiência, religião, nacionalidade, classe social e status migratório.

O subprojeto partiu da intenção de traçar um perfil detalhado dos migrantes a partir dos microdados do Censo Demográfico 2022. Como esses microdados não foram divulgados a tempo, a pesquisa foi reconfigurada: trabalhou com resultados agregados do Censo, sistematizou fontes de dados sobre migração, examinou políticas públicas voltadas a imigrantes e refugiados e desenvolveu a Cinedemografia como fonte qualitativa complementar.

A contribuição central está na articulação entre dois retratos. O retrato estatístico — produzido por Censo, registros administrativos, PNAD e outras bases públicas — permite observar fluxos, origens, destinos e parte das condições materiais de vida. O retrato cinematográfico — produzido por filmes brasileiros que abordam migração — ajuda a compreender experiências, barreiras, afetos, discriminações e pertencimentos que os dados não captam diretamente.

O resultado é uma leitura pública da migração que combina capacidade estatística e mediação qualitativa. A pesquisa não reduz migrantes e refugiados a fluxos, cadastros ou força de trabalho, mas também não abandona a centralidade dos dados oficiais. Sua principal contribuição é mostrar que conhecer melhor a migração exige combinar fontes, reconhecer lacunas e ampliar a capacidade pública de acompanhar como essas populações circulam, se instalam, enfrentam barreiras e constroem pertencimento nos territórios.

Atualizado em: 24 de junho de 2026. Status: pesquisa em andamento.

Questão Norteadora

"O que o Brasil consegue ver — e o que ainda deixa fora — quando tenta compreender a migração como marcador social da diferença?"

Principais achados

1

A pesquisa trata a migração como condição social, não apenas como deslocamento populacional. Ser migrante, vir de determinado lugar e carregar outros marcadores sociais pode afetar oportunidades de trabalho, acesso a serviços, relações sociais, reconhecimento e pertencimento.

2

O Censo Demográfico é a principal fonte para estudar migração interna, internacional e de retorno no Brasil, especialmente porque há poucas fontes regulares sobre migração interna. Ao mesmo tempo, sua periodicidade decenal, o uso do questionário da amostra, mudanças nos quesitos e a ausência dos microdados em tempo hábil limitaram parte das análises previstas.

3

A ausência dos microdados do Censo 2022 não é apenas uma restrição operacional. Ela evidencia que a capacidade pública de compreender a migração depende não só da coleta de dados, mas também da disseminação oportuna das informações em formatos que permitam cruzamentos mais finos.

4

As fontes de dados sobre migração são ricas, mas fragmentadas. Registros administrativos permitem observar trabalho formal, documentação, refúgio, educação, assistência social e outras dimensões da imigração internacional, mas cada base capta apenas uma parte da população migrante.

5

A migração interna permanece menos acompanhada entre os censos. A antiga PNAD oferecia informações periódicas sobre migração até 2015, mas a PNAD Contínua não manteve perguntas que permitam identificar se o trabalhador é migrante, ampliando a dependência em relação ao Censo.

6

Mesmo sem microdados, os dados agregados do Censo 2022 já indicam transformações relevantes nos fluxos internos e internacionais, incluindo o crescimento da imigração latino-americana, especialmente venezuelana, e mudanças nos saldos migratórios entre Unidades da Federação.

7

A Cinedemografia não substitui estatísticas públicas. Ela complementa o retrato estatístico ao tornar visíveis, nos filmes, dimensões como saudade, separação familiar, barreiras de adaptação, preconceito, vínculos afetivos, moradia, trabalho e pertencimento.

8

A principal implicação pública da pesquisa está na capacidade de informação. Políticas de acolhimento e integração dependem de dados mais completos, regulares e articulados, capazes de mostrar onde estão os migrantes, quais grupos ficam fora das bases disponíveis e que barreiras precisam ser enfrentadas.

Usos e Desdobramentos

Formulação de políticas públicas

Recomendações para gestores públicos

Em preparação

Texto para Discussão

Debate e implicações públicas

Ler texto

Dados e visualizações

Indicadores e dados em formato visual

Em preparação

Documentos da Pesquisa

Etapa 1

Proposta Inicial

Proposta inicial de pesquisa apresentada ao projeto.

PDF
Etapa 2

Artigo Conceitual

Artigo conceitual desenvolvido com base na proposta.

Em breve
Etapa 3

Relatório Final

Relatório final consolidando os achados da pesquisa.

Em breve