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Trabalho

Mudanças tecnológicas e retração da proteção social: impactos no mercado de trabalho e nos benefícios contributivos

Yuri Oliveira de Lima

Pesquisadores Associados: Arnaldo Provasi Lanzara, Renato Raul Boschi, Bruno Salgado Silva
SobreeducaçãoPlataformizaçãoProteção socialTrajetórias ocupacionaisAutomação do trabalho
ODS 8 — Trabalho Decente e Crescimento EconômicoODS 10 — Redução das Desigualdades

Resumo Executivo

Este subprojeto analisa como digitalização, automação e retração das proteções sociais vêm reconfigurando trajetórias ocupacionais no Brasil. A pesquisa parte da premissa de que os efeitos da tecnologia não são automáticos: dependem das instituições que regulam o trabalho, da estrutura das ocupações, da proteção previdenciária, da sindicalização e das possibilidades reais de transição profissional.

O trabalho em plataformas digitais aparece como caso crítico dessa transformação. Ele permite observar, de forma concentrada, a combinação entre renda imediata, baixa proteção, informalidade, jornadas extensas, autonomia ambígua e dificuldade de organização coletiva. Diante da indisponibilidade dos microdados do Censo 2022, a PNAD Contínua sobre trabalho por plataformas digitais tornou-se uma fonte central para essa frente de análise.

A principal inflexão analítica do subprojeto está na sobreeducação, especialmente entre jovens. A pesquisa investiga se trabalhadores com ensino superior estão sendo absorvidos por ocupações que não exigem sua formação, inclusive em plataformas digitais. Com isso, a precarização deixa de ser vista apenas como ausência de vínculo formal ou perda de direitos e passa a incluir também a subutilização da formação e o bloqueio de trajetórias profissionais.

A hipótese em amadurecimento é que o trabalho em plataforma pode estar deixando de ser apenas ocupação complementar ou transitória para se tornar destino persistente de parte dos trabalhadores qualificados. Essa hipótese ainda depende de consolidação empírica, mas organiza a contribuição mais original da pesquisa: compreender como a economia digital pode produzir trajetórias ocupacionais inseguras em um mercado de trabalho já marcado por baixa proteção social.

Atualizado em: 24 de junho de 2026. Status: pesquisa em andamento.

Questão Norteadora

"Como a digitalização, a automação e a retração das proteções sociais reconfiguram trajetórias ocupacionais no Brasil, especialmente entre jovens qualificados inseridos em trabalhos de plataforma ou em ocupações abaixo de sua formação?"

Hipóteses e achados preliminares

1

O subprojeto não trata a digitalização como força isolada. Sua contribuição está em mostrar que os efeitos da automação, das plataformas e da inteligência artificial dependem das condições institucionais em que essas tecnologias se expandem: proteção social, regulação, sindicalização, estrutura ocupacional e qualidade dos empregos disponíveis.

2

As plataformas digitais concentram dimensões centrais da economia digital: informalidade, baixa contribuição previdenciária, flexibilidade ambígua, jornadas extensas e dificuldade de enquadramento nas categorias tradicionais do trabalho. Elas funcionam como uma janela para observar transformações mais amplas do mercado de trabalho.

3

A pesquisa desloca a análise da precarização para além da ausência de vínculo formal ou direitos. Ao observar trabalhadores com formação superior em ocupações que não exigem graduação, o subprojeto identifica a sobreeducação como possível expressão de subutilização da formação e bloqueio de mobilidade.

4

A juventude concentra três processos simultâneos: entrada no mercado de trabalho, expansão da escolaridade e exposição a ocupações digitais ou plataformizadas. A pesquisa investiga se a formação superior tem ampliado oportunidades ou se parte desses jovens está sendo absorvida por trajetórias inseguras e pouco protegidas.

5

Uma questão analítica central é distinguir se a inserção em plataformas aparece como experiência transitória, ocupação complementar ou trajetória persistente. Essa diferença altera a interpretação do fenômeno e suas implicações para políticas públicas.

6

A ausência dos microdados do Censo 2022 exigiu ajuste metodológico. O subprojeto passou a trabalhar com a PNAD Contínua como base alternativa principal, com possível complementação por RAIS, CAGED e outras fontes. Esse ajuste preserva a relevância da pesquisa, mas exige cautela nas inferências, especialmente em recortes territoriais e cruzamentos mais detalhados.

7

Para avaliar impactos da automação, a pesquisa precisa ir além do nome das ocupações e observar atividades de trabalho. Como a COD não oferece o mesmo nível de detalhamento da CBO, a construção de descrições ocupacionais pode se tornar uma entrega metodológica relevante do subprojeto.

Usos e Desdobramentos

Formulação de políticas públicas

Recomendações para gestores públicos

Em preparação

Texto para Discussão

Debate e implicações públicas

Em preparação

Dados e visualizações

Indicadores e dados em formato visual

Em preparação

Documentos da Pesquisa

Etapa 1

Proposta Inicial

Proposta inicial de pesquisa apresentada ao projeto.

PDF
Etapa 2

Artigo Conceitual

Artigo conceitual desenvolvido com base na proposta.

Etapa futura
Etapa 3

Relatório Final

Relatório final consolidando os achados da pesquisa.

Etapa futura