Voltar ao Tema
Cidades e Marcadores Sociais

Infraestruturas urbanas e desigualdades socioespaciais no Brasil: leituras a partir da Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios no Censo Demográfico de 2022

Kaíc Fernando Ferreira Lopes

Pesquisadores Associados: Angelita Alves de Carvalho
Entorno urbanísticoInfraestrutura urbanaDesigualdade socioespacialJustiça territorialPlanejamento urbano
ODS 11 — Cidades e comunidades sustentáveisODS 10 — Redução das desigualdades

Resumo Executivo

A desigualdade urbana brasileira não se expressa apenas na renda, na localização da moradia ou no acesso formal a serviços públicos. Ela aparece também no espaço público imediato que circunda os domicílios: calçadas, rampas de acessibilidade, iluminação, pavimentação, drenagem, arborização, pontos de transporte coletivo e condições de circulação. Esses elementos, frequentemente tratados como atributos técnicos da via pública, definem condições concretas de mobilidade, segurança, acessibilidade, conforto ambiental e direito à cidade.

Este subprojeto analisa a Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios do IBGE, com destaque para o Censo Demográfico 2022, como instrumento de leitura das desigualdades socioespaciais no Brasil. Incorporada pelo IBGE desde o Censo de 2000 e refinada nas edições seguintes, a pesquisa observa diretamente características físicas e funcionais do espaço público imediato aos domicílios, permitindo deslocar a análise da moradia isolada para as condições urbanísticas que estruturam a vida cotidiana.

A contribuição central está em interpretar o entorno urbanístico como categoria analítica. Os dados do Censo tornam visível a presença ou ausência de calçadas, rampas, iluminação, drenagem, arborização, pavimentação e pontos de transporte, mas esses elementos não devem ser lidos apenas como atributos técnicos da via pública. Sua distribuição revela decisões públicas, investimentos privados, valorização territorial, omissões institucionais, disputas pelo espaço e padrões históricos de segregação. A infraestrutura, nessa leitura, é mediação entre técnica e poder.

A pesquisa também indica usos públicos relevantes. Os dados do entorno podem apoiar diagnósticos territoriais, orientar prioridades de investimento e subsidiar instrumentos como Planos Diretores, Planos de Mobilidade Urbana, Planos de Habitação de Interesse Social e Estudos de Impacto de Vizinhança. Seu uso, porém, exige cautela: os indicadores captam atributos físicos observáveis, mas não substituem análises qualitativas, leitura local, processos participativos ou outras bases necessárias para compreender percepção de segurança, dinâmicas informais, conflitos de uso e transformações temporais do espaço urbano.

Atualizado em: 24 de junho de 2026. Status: pesquisa em andamento.

Questão Norteadora

"Como a Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios do Censo 2022 permite compreender a distribuição desigual das infraestruturas urbanas e suas implicações para justiça socioespacial, direito à cidade e planejamento territorial no Brasil?"

Contribuições Preliminares

1

A pesquisa desloca a leitura censitária da moradia para o espaço público imediato. Calçadas, rampas, iluminação, drenagem, pavimentação, arborização e pontos de transporte deixam de aparecer apenas como cenário da vida cotidiana e passam a funcionar como escala concreta para observar condições desiguais de circulação, acesso, segurança e permanência na cidade.

2

O entorno urbanístico é tratado como categoria analítica da desigualdade territorial. A pesquisa não se limita a registrar atributos físicos da via pública; ela interpreta esses atributos como evidências da forma como o espaço urbano é produzido, valorizado e distribuído de maneira desigual entre territórios, grupos sociais e formas distintas de ocupação da cidade.

3

A infraestrutura urbana aparece como mediação entre técnica e poder. Os elementos observados pelo IBGE formam um conjunto de objetos urbanos, mas sua presença ou ausência no território remete a escolhas públicas, investimentos privados, valorização imobiliária, omissões institucionais e disputas que definem quais áreas recebem melhores condições urbanas e quais permanecem marcadas pela precariedade.

4

A precariedade do entorno pode impor restrições concretas à vida urbana. A ausência de calçadas adequadas, rampas, iluminação, drenagem e arborização tende a afetar mobilidade, acessibilidade, segurança percebida, conforto ambiental e uso cotidiano da cidade, especialmente em territórios onde déficits de infraestrutura se acumulam.

5

A leitura interseccional qualifica a interpretação dos déficits urbanos ao mostrar que a precariedade do entorno não afeta todos os grupos da mesma forma. Raça, gênero, classe, deficiência, idade e localização territorial ajudam a compreender como as desigualdades de infraestrutura se combinam a diferentes formas de vulnerabilidade, exposição e restrição de acesso à cidade.

6

Os dados do entorno podem fortalecer o monitoramento territorializado do ODS 11, especialmente em temas como mobilidade, acessibilidade, infraestrutura urbana e espaços públicos. Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que essa base precisa ser complementada por outras fontes e métodos para captar dimensões como governança, percepção de segurança, resiliência climática, dinâmicas informais e transformações temporais do espaço urbano.

Usos e Desdobramentos

Formulação de políticas públicas

Recomendações para gestores públicos

Em preparação

Texto para Discussão

Debate e implicações públicas

Em preparação

Dados e visualizações

Indicadores e dados em formato visual

Em preparação

Documentos da Pesquisa

Etapa 1

Proposta Inicial

Proposta inicial de pesquisa apresentada ao projeto.

PDF
Etapa 2

Artigo Conceitual

Artigo conceitual desenvolvido com base na proposta.

Em breve
Etapa 3

Relatório Final

Relatório final consolidando os achados da pesquisa.

Em breve