Deep learning nos estudos urbanos: uma revisão crítica e sistemática
Fillipi Lúcio Nascimento da Silva
ENCE/IBGE
Resumo Executivo
A infraestrutura urbana pode mudar em ritmo mais rápido do que o ciclo decenal de coleta censitária. Ruas, calçadas, iluminação, arborização e outros componentes do entorno dos domicílios se transformam entre um Censo e outro, criando um desafio para a produção de informações urbanísticas atualizadas.
A pesquisa desenvolve um método de levantamento de componentes urbanísticos e geração de indicadores sintéticos a partir de imagens de rua, geoprocessamento e modelos de deep learning pré-treinados. Seu foco é produzir informações complementares sobre elementos do entorno urbano observados pela Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios — PUED, sem substituir a validação estatística nem o trabalho de campo.
Ao longo da pesquisa, a proposta inicial baseada no Google Street View foi ajustada para o uso de imagens da Mapillary e de modelos pré-treinados combinados. Esse deslocamento preservou o objetivo central do estudo e tornou o piloto mais viável em termos operacionais, especialmente para processamento, reexecução e comparação dos resultados.
O estudo construiu o Índice Global de Características Infraestruturais — IGCI, que sintetiza componentes avaliados nas imagens. O índice tem valor como métrica auditável, mas sua leitura depende da cobertura das imagens, da memória de cálculo, dos componentes efetivamente avaliados e do registro dos casos em que a imagem não permitiu inferência segura.
A contribuição do subprojeto está menos em substituir instrumentos censitários e mais em demonstrar como fontes visuais e modelos computacionais podem ampliar a observação pública da infraestrutura urbana entre ciclos de coleta, desde que acompanhados de validação, memória de cálculo e controle explícito da cobertura imagética.
Atualizado em: 24 de junho de 2026. Status: pesquisa em andamento.
Questão Norteadora
"Como imagens de rua e visão computacional podem apoiar a produção de informações urbanísticas mais frequentes, comparáveis e verificáveis, reduzindo custos de observação sem substituir a validação estatística e o trabalho de campo?"
Principais achados
Imagens de rua podem ser transformadas em informação urbanística espacializada, articulando fonte visual, georreferenciamento, inferência automatizada, índice sintético e validação inicial.
O uso de modelos pré-treinados tornou o piloto viável sem exigir, nesta etapa, treinamento intensivo de modelo próprio.
A combinação de modelos permitiu tratar diferentes componentes urbanos com maior flexibilidade, reconhecendo que nem todos os atributos da infraestrutura são captados com a mesma estabilidade visual.
O método apresentou melhor desempenho para componentes amplos, recorrentes e visualmente salientes, como pavimentação, calçada, meio-fio e iluminação pública.
Objetos pequenos, raros, encobertos ou dependentes do ângulo da imagem, como bueiros, rampas de acessibilidade e placas de logradouro, permanecem mais frágeis e exigem validação adicional.
Áreas sem imagem adequada não devem ser interpretadas como áreas sem precariedade urbana, mas como áreas sem evidência visual suficiente.
O IGCI sintetiza os componentes avaliados em uma métrica auditável, mas não deve ser lido como nota geral de qualidade urbana.
A contribuição pública do subprojeto está em demonstrar uma forma complementar de observar infraestrutura urbana entre censos, apoiando triagens, atualizações parciais e verificações direcionadas sem substituir a PUED.
Usos e Desdobramentos
Formulação de políticas públicas
Recomendações para gestores públicos
Texto para Discussão
Debate e implicações públicas
Dados e visualizações
Indicadores e dados em formato visual
Documentos da Pesquisa
Artigo Conceitual
Artigo conceitual desenvolvido com base na proposta.
Etapa futuraRelatório Final
Relatório final consolidando os achados da pesquisa.
Etapa futura